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Showing posts with the label Inquietação

A inclusão não pode continuar a ser apenas um discurso!

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  Portugal habituou-se a falar de “educação inclusiva” como se bastasse aprovar legislação para que a inclusão acontecesse. Mas a realidade vivida por muitas crianças com necessidades educativas específicas, pelas suas famílias e pelos profissionais que as acompanham revela um cenário profundamente diferente. Nos últimos anos, multiplicaram-se as notícias e denúncias sobre: falta de professores de educação especial; carência grave de psicólogos, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e psicomotricistas; insuficiência de assistentes operacionais com formação adequada; incumprimento legal na constituição de turmas; milhares de crianças sem apoio especializado efetivo. A FENPROF denunciou que 23% das turmas analisadas violavam as normas legais da educação inclusiva e alertou para a falta generalizada de docentes de educação especial, técnicos especializados, assistentes operacionais, espaços físicos e materiais adequados, afirmando que “falta quase tudo, só não f...

Às vezes canso-me de lutar

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  Tenho um blog sobre a Valentina.   Disseram-me isso esta semana, quase com entusiasmo: “Que fixe! Mas andas um pouco desaparecida… tens de publicar mais!” E eu fiquei a pensar. Desaparecida… Talvez esteja mesmo. A verdade é simples, ainda que difícil de dizer: às vezes canso-me de lutar. (E é triste uma mãe escrever isto.) Na sexta-feira passada, estava com uns amigos. Conversa normal, leve, de fim de dia. Perguntaram-me a idade da Valentina.   – 8 anos.   E veio a resposta, quase automática:   – Ah, então tens 4 anos… Fiquei confusa e perguntei:   – Para quê? Em simultâneo, ocorreu-me a razão daquela métrica: 4 anos até aos 12 anos de idade. Até à adolescência, subentenda-se. Tendo percebido a interpelação que me fora feita, continuei:   – Eu luto, luto, luto. E o que consigo? Poucas horas de docentes qualificados para o ensino especial. Poucas horas de apoio da equipa multidisciplinar. Recursos mínimos distribuídos com...

‘Asfixiar a besta’: a escolha política de falhar às crianças

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  A educação inclusiva não está a falhar por excesso de ambição, mas por falta deliberada de compromisso. E quando se escolhe não financiar direitos, o que se está a rever não é um decreto-lei. É a própria ideia de inclusão. Leiam online em:  https://correiodominho.pt/cronicas/autor/priscila-ferreira/532 O artigo  “Starve the Beast” Origins and Development of a Budgetary Metaphor , de Bruce Bartlett, pode ser encontrado aqui:  https://www.independent.org/pdf/tir/tir_12_01_01_bartlett.pdf A notícia Há um “subfinanciamento estrutural” na educação inclusiva: seriam necessários 50 a 700 milhões de euros para a garantir , de Cristiana Faria Moreira, pode ser encontrada aqui:  https://www.publico.pt/2026/01/26/sociedade/noticia/ha-subfinanciamento-estrutural-educacao-inclusiva-necessarios-500-700-milhoes-euros-garantir-2162335 A versão integral da publicação  Estado da Educação 2024 , do Conselho Nacional para a Educação, (publicada em dezembro de 2025) pode ser ...

Residências universitárias e mais não sei o quê…

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                                  Fonte: Público                                                            Fonte: Autor No final do ano passado, o Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, apresentou um novo modelo de ação social para o ensino superior. Nesse contexto, afirmou que a degradação das residências universitárias resulta sobretudo da falta de investimento e de problemas de gestão do sistema público. Embora pareça um tema restrito ao ensino superior, esta polémica espelha problemas estruturais mais amplos no sistema educativo, que se estendem ao ensino básico e secundário. Tal como acontece nas residências universitárias, também nas escolas públicas se sente a insuficiência de recursos...

"Coexistir? Com quem, se estamos sós?"

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  No ano letivo anterior, foi-me sugerido, em janeiro, retirar a Valentina das AEC porque ela "não faz nada". Na altura fiquei chocada, mas recusei-me a fazer o que me era pedido. Uma das Atividades de Enriquecimento Curricular é a patinagem. Como a Valentina tem um problema de equilíbrio e de coordenação motora, este tipo de atividade é extremamente difícil (se não inalcançável, pelo menos antes de colmatar dificuldades várias) para ela.  Uma outra é a percussão. Que dizem ser uma atividade muito bem-sucedida, apesar da própria enfermeira escolar considerar a percussão uma atividade que estimula a atividade das crianças — já de si, enérgicas. Após pensar sobre o assunto, decidi escrever um email à direção do agrupamento. Onde dizia o seguinte: "   senti uma curiosidade crescente sobre o enquadramento legal das AEC. A minha pesquisa teve os seguintes resultados (documentos em anexo): Portaria n.º 644-A/2015 Artigo 18, 2 — A planificação das AEC deve: b)  Considerar a...

Qualquer caminho leva a toda a parte...

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- "Mesmo que eu seja última a chegar?" - "Ainda assim, o teu caminho é sagrado." Fernando Pessoa Qualquer caminho leva a toda a parte. Qualquer caminho leva a toda a parte. Qualquer ponto é o centro do infinito. E por isso, qualquer que seja a arte De ir ou ficar, do nosso corpo ou espírito, Tudo é estático e morto. Só a ilusão Tem passado e futuro, e nela erramos. Não ha estrada senão na sensação É só através de nós que caminhamos. Tenhamos pra nós mesmos a verdade De aceitar a ilusão como real Sem dar crédito à sua realidade. E, eternos viajantes, sem ideal Salvo nunca parar, dentro de nós, Consigamos a viagem sempre nada Outros eternamente, e sempre sós; Nossa própria viagem é viajante e estrada. Que importa que a verdade da nossa alma Seja ainda mentira, e nada seja A sensação, e essa certeza calma De nada haver, em nós ou fora, seja Inutilmente a nossa consciência? Faça-se a absurda viagem sem razão. Porque a única verdade é a consciência E a consciência é aind...

"A doença assusta quem exige normalidade. A diferença, quando não serve de bandeira, continua a ser vista como um erro. Akira é tudo menos um erro; é um milagre em código."

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Texto de  Pedro Chagas Freiras  (publicado no seu mural do Facebook:  https://www.facebook.com/photo?fbid=1286136456211868&set=a.279418180217039  ) “Akira não fala, não anda, tem dificuldade em ouvir nos dois ouvidos, tem hipotonia [diminuição do tónus ​​muscular] e atrasos generalizados, mas, apesar de todas as coisas que as pessoas dizem que ele 'sente falta', ele consegue aproximar-se a um nível que faz com que todos se sintam profundamente vistos e amados. Nos dias em que a minha ansiedade me atormenta, quando estou preocupada com o futuro dele, volto sempre a isto: as pessoas sentem-se bem ao pé dele, na sua presença. Ele é como um raio de sol. O meu pequeno sol brilhante." Akira é neto de Sting. E é não-verbal. Não é mudo; mudo é quem não o compreende. Na imagem, encosta-se ao avô. Um gesto breve, absoluto. Sting, homem de multidões, fecha os olhos. Não para escapar; para se render. Não sei se este planeta cada vez mais intolerante está preparado para cria...

O lado errado da noite

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Foto de Mark Dumbleton, 2008 Deixo um apelo ao Governo da República Portuguesa , em particular ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação , na pessoa do Senhor Ministro Fernando Alexandre - por quem tenho muito apreço e respeito - por favor: lute pela inclusão! Não nos deixe sós! Nenhum pai devia ter de lutar contra o sistema, a escola, o agrupamento; ou em desespero apelar à DGEST; nenhum pai devia acabar a sentir dúvidas e pensar se deve dirigir-se ao IGEC ou contratar um advogado e processar Estado Português. Nenhum pai devia viver na dúvida se o seu filho está encostado num canto da sala ou se anda a vaguear pelos corredores - excluído do grupo em qualquer dos casos. Nenhum pai devia ter a dúvida sobre se o seu filho não sabe as vogais por ter um problema de cognição ou se é porque não trabalham suficientemente com ele. Nenhum pai devia ler em jornais, da dita circulação nacional, notícias que reportam que crianças com necessidades específicas ficam PERDIDAS no sistema, ou qu...

Cá dentro inquietação, inquietação...

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O Apelo por Valentina Setembro marcou o início de mais um ano letivo. Um momento de renovação, de oportunidades e, acima de tudo, de agir. Foi nesse contexto que um e-mail foi enviado, e terminava carregado de esperança e desespero: "Ela precisa de todos os apoios previstos. Por favor – ajudem-na. Não desistam de nós!" O tempo passou, e a resposta não veio. Uma Chamada à Ação Ignorada Outubro trouxe novas inquietações. Após uma reunião com a PTT, outro alerta foi enviado: "A Valentina tem documentos formais que permitem pedir apoio adicional. É preciso apoio na sala do primeiro ano, sob pena de, além de perdermos a Valentina, perdermos a coesão da turma. Sei que a  Prof. Cooord. EMAEI quer que compreenda e tenha paciência – mas É URGENTE garantir um apoio permanente à sala da primeira classe!" A situação era clara, mas a ação tardava. A  Prof. Cooord. EMAEI  havia informado que o RTP estaria pronto no final de novembro. Mas… e até lá? O tempo não esperava. Em novemb...